Devoradores de Estrelas
Os humanos ainda tem jeito, eles apenas não encontraram o seu robô alienígena.
É no vazio do espaço onde encontramos a vida do outro.
Project Hail Mary, Devoradores de Estrelas, aquele filme do Ryan Gosling com a pedra falante, virou xodó de cinéfilos neste ano de 2026. O carisma do ator, as cenas mágicas pelo espaço desconhecido em cores psicodélicas, a amizade devocional são elementos que gravitam a atenção dos espectadores. Nada de depressivo ou alarmante como aponta a discografia do astro de Barbie. A menos que você lembre dele estar evitando mais um fim do mundo hollywoodiano.
O diretor Drew Goddard em seu filme apresenta uma resposta dura com relação a aproveitarmos o fim: é preciso estar próximo a quem nos tem amizade. Vin Diesel como Dom Toretto, naquela franquia interminável de carros e futilidades sob rodas, evoca a importância da família na constituição das relações humanas. Ter alguém com quem contar consome as ligações sanguíneas,dialoga com aproximações das afinidades e deveres com as pessoas. Diferente de seu colega com um D à menos, o cineasta trabalha as dores de se afastar da sua velha casa e da aproximação com um lar.
Desde a Antiguidade ocidental, as perspectivas do final das coisas existentes é discutida entre os pensadores. A escatologia define a conclusão da vida por meio da vinda de Cristo, do julgamento até a consagração e punição das almas. Rita Lee apregoava de que “tudo vira merda”, neste paralelo entre tempos do sagrado e do profano. A nossa fome por comunicação clara nos deixa ativos por querer um holofote. Uma luz para chamar de nossa. A questão do existir é o que teria para além do fim. Tudo acaba com o desligamento dos órgãos ou uma entidade plasmática viria nos buscar numa carruagem brilhante? Os fins não justificam os meios, ainda mais se dizemos de Maquiavel ter sabido construir uma narrativa que explicasse de quais maneiras os Estados acabam.
Toda noite quando olhamos para o céu, imaginamos o quão longe estão aquelas estrelas de nosso pálido ponto azul. Se existe vida ou não, se eles viajam anos-luz para fazerem círculos nas colheitas como atividade escolar, se sinal das sondas intravenosas em subcelebridades tem prazo de validade. Mas o que fica é sempre se querem ter nosso contato, se nos devoram. A existência de familiaridade acusa de nossas diferenças biológicas serem irrelevantes quando reconhecimentos que estarmos aqui é por si valioso.
Dizer que não estamos sozinhos também garante de que podemos reencontrar as pessoas. Rever sua imagem em diferentes fases da vida e aprender a respeitá-las como são neste plano físico. O robô Rocky funciona como uma metáfora, de projetarmos aquilo que desejamos no que não podemos ter. Pois os lares não são naturais, são construídos. A amizade está por aí, ansiosa para que a gente encontre cores no vazio.




Não dei muita confiança para esse filme, mas seu texto despertou minha curiosidade para assistir. Muito interessante a reflexão sobre o fim e as relações de afeto, se pensarmos bem, estamos sempre próximos ao fim já que nunca sabemos a hora.